CAPA DO LIVRO




Você consegue imaginar 
como se faz a capa para um livro? Não?
Eu também não!!!

Como estou escrevendo minhas memórias desde a adolescência em Angola resolvi fazer umas fotos eu mesma para criar a capa. Lembrei que quando aqui cheguei ao Brasil eu costumava visitar a praia da Pituba  aqui em Salvador, pra jogar umas garrafinhas com cartas para meus amigos em Angola.
Então pensei: Por que Não?


PROCURA-SE UMA CAPA DE LIVRO!

Em busca de uma foto que melhor represente
o conteúdo de meu livro de memórias.

“CARTAS DE ANGOLA.

Lembranças de uma mulher como outra qualquer.”


Para tanto viajei para a Ilha de Itaparica

e durante 3 dias acordava às 4:30m da manhã

para poder fotografar os primeiros raios de sol

e assim, mais inspirada,

conseguir criar uma composição

para a foto que preciso.


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Quatro e meia da manhã…

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E o sol querendo aparecer, mas as nuvens, ciumentas, não permitiam…



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EXÍLIO

Quando a pátria que temos

não a temos

Perdida por silêncio e por renúncia

Até a voz do mar se torna exílio

E a luz que nos rodeia é como grades

Sophia de Mello Breyner

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“…sou uma sobrevivente,
disto tenho certeza,
sobrevivi ao meu próprio ser.
A cada dia que passo,
a cada vivência e convivência,
vou saindo de um baú escuro
pra me “re-fazer” em cores!”

Guidha
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Eu , a garrafinha e as cartas...


“Não é uma simples vestimenta que me dispo hoje,

mas a própria pele que arranco com minhas mãos…”

Khalil Gibran
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E essa Guidha sou eu!

Uma mulher como outra qualquer!

Que gosta de arte, de ler,

Que gosta de cores, do amanhecer,

Que através de sua lente

gosta de colher poesia e viver

E que agora voltou a escrever!

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E assim fiquei por um bom tempo, sentada, meditando,

e pedindo a Deus que a palavra GUERRA seja só mais uma palavra em desuso, talvez…

E aos poucos as águas de Yemanjá me acordavam pra vida…

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QUEM DERA…

Quem dera os povos despertassem com consciência

E distinguissem a leveza da Paz, da dor da guerra…

Quem dera não houvesse mais necessidade

De mensageiros nem embaixadores da Paz…

Quem dera acabassem as manifestações

Tratados e canções pela Paz

Por ser a Paz, uma realidade…

Quem dera acabassem os interesses escusos,

Bélicos, frios que desabam em guerras…

 

Por que

Quem viveu uma guerra,

Mesmo que não tenha sangrado,

Saiu aos pedaços, dilacerado,

Jamais se esquece… Jamais apaga…

 

É uma viagem sem volta!

Um pedaço que fica,

Lembrança que martela,

Uma história obrigada a findar,

Um naco de alma que apodrece!

 

Ninguém sai inteiro,

Ninguém é mais “Alguém”!

Perdem a identidade, as raízes.

Demora-se a recuperar o brilho

A luz do olhar…

 

Eu,

Eu demorei uma vida inteira

Pra sair da escuridão,

Andei pela vida… Não vivi!

Fui como uma vela acesa

Que eu deixei arder…

 

O vazio de informações foi minha saída.

A ausência de lembranças me fortalecia…

E assim fui apagando um pedaço de minha vida…

 

Mas quando???

Quando é que nós, humanos, vamos entender

Que toda a guerra é uma inconcebível loucura?

Quando vamos tomar coragem e dizer “NÃO”???

 

Por acaso alguém consegue quantificar

O potencial humano que uma guerra joga fora???

Podem dizer que quantidade de órfãos,

viúvas e mutilados,

Provocam a ganância de uma guerra?

Têm noção de quantas famílias se separam, se perdem,

Quantos sonhos destruídos e o mal que fazem a um país?

 

… e a mim, ainda uma menina,

Que chorei lágrimas amargas por ter sido separada

De minha família, de meus amigos, de minha história,

E nos perdermos dentro desta diáspora…

Perdendo-nos nessa insanidade que foi a guerra…???

 

Durante anos, além do vazio, senti revolta, mágoa,

Hoje consigo perdoar, consigo ter vontade de voltar.

Os grilhões que me prendiam à dor se quebraram,

Hoje sinto vontade de ajudar a recuperar meu país…

 

Por isso eu sempre digo:

 

Quem dera a palavra “guerra”

virasse um filme histórico,

Uma palavra perdida num dicionário velho,

Ou uma passagem de nossos antepassados

Num livro de História Antiga…

 

Guidha Cappelo

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